DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Espetáculo explora a espontaneidade do frevo

Por Tatiana Meira

Os aspectos de improvisação e de individualidade inerentes ao frevo são apenas algumas das características dessa dança pernambucana. Mas quando se trata de frevo, destaca a coreógrafa Marília Rameh, vários caminhos são possíveis e não podem ser encarados de maneira engessada ou radical. A evolução dos passos do frevo é foco da pesquisa de movimento de Preto no branco, espetáculo da Cia Artefolia, dirigida por Marília, que inicia temporada no Teatro Armazém (Bairro do Recife) nesta sexta-feira, às 20h. A coreografia, na verdade, foi pensada também por mais dois profissionais, os coreógrafos Ivaldo Mendonça e Célia Meira.

“Queria falar sobre o passo, a trajetória dele, mas não de uma maneira cronológica. Partimos de um corpo fragmentado para chegar a uma unidade, mostrando a multidão pulando com o frevo, o passista dançando sozinho com um guarda-chuva, as primeiras intenções do passo com a capoeira”, revela Marília Rameh, que lidera a Cia de Dança Artefolia há 15 anos. A vontade de trabalhar com o frevo como um objeto de estudo específico surgiu em 2002, quando o grupo fez um laboratório que resultou na coreografia Irreverência, premiada pela Apacepe no Janeiro de Grandes Espetáculos de 2003.

Segundo a coreógrafa, a espera valeu a pena, porque hoje o Artefolia está num momento mais amadurecido. “Recebemos financiamento do Funcultura, de quase R$ 80 mil, e o prêmio Klaus Vianna, da Funarte/Ministério da Cultura, de R$ 30 mil”, conta.

Outro ponto positivo da montagem, avalia Marília, é a participação de Célia Meira e Ivaldo Mendonça na composição coreográfica. “Célia trouxe movimentos mais fluidos e Ivaldo, a técnica e a precisão”, compara.

“Se o passista é um mero repetidor de passos, perde a criatividade. Foi uma experiência muito interessante porque buscamos o folião dentro dos bailarinos, a espontaneidade que reside na alma do frevo”, conta Célia Meira, ex-bailarina do Balé Popular do Recife, que hoje trabalha levando a dança para a humanização na área de saúde.

Para Ivaldo Mendonça, de formação clássica e vivência contemporânea, o contato com o frevo veio como um susto e um desafio. “Estou feliz com o espetáculo. Descobri coisas possíveis de se fazer no frevo, sem perder a energia da dança. Um duo de mãos dadas, a passagem da sombrinha por debaixo da perna do companheiro, são evoluções do original sem fugir da essência”, completa Ivaldo, que já foi bailarino de Deborah Colker e assina o frevo de sete minutos que numa dinâmica acelerada encerra Preto no branco. A temporada do espetáculo acontece aos sábados e domingos, sempre às 20h, até 18 de março.

FONTE: Diário de Pernambuco | Viver | 01.03.2007 | Por Tatiana Meira

El espectáculo explora la espontaneidad del frevo

Por Tatiana Meira

Los aspectos de improvisación e individualidad inherentes al frevo son sólo algunas de las características de esta danza de Pernambuco. Pero cuando se trata de frevo, dice la coreógrafa Marília Rameh, son posibles varios caminos, que no pueden ser vistos de forma escayolada o radical. La evolución de los pasos de frevo es el eje de la investigación del movimiento en Preto no branco, espectáculo de la Compañía Artefolia, dirigido por Marília, que inicia su temporada en el Teatro Armazém (barrio de Recife) este viernes a las 20h. En realidad, la coreografía fue ideada por otros dos profesionales, los coreógrafos Ivaldo Mendonça y Célia Meira.

“Quería hablar del paso, de su trayectoria, pero no de forma cronológica. Partimos de un cuerpo fragmentado para llegar a una unidad, mostrando la multitud saltando con el frevo, el passista bailando solo con un paraguas, las primeras intenciones del paso con la capoeira”, revela Marília Rameh, que dirige la Compañía de Danza Artefolia desde hace 15 años. El deseo de trabajar con el frevo como objeto específico de estudio surgió en 2002, cuando el grupo realizó un laboratorio que dio como resultado la coreografía Irreverência, premiada por Apacepe en el Janeiro de Grandes Espetáculos de 2003.

Según la coreógrafa, la espera valió la pena, porque hoy Artefolia es más madura. “Recibimos financiación de Funcultura, por un total de casi 80.000 reales, y el premio Klauss Vianna, de Funarte/Ministerio de Cultura, por 30.000 reales”, dice.

Otro punto positivo de la producción, dice Marília, es la participación de Célia Meira e Ivaldo Mendonça en la composición coreográfica. “Célia aportó movimientos más fluidos e Ivaldo, técnica y precisión”, compara.

“Si el bailarín se limita a repetir pasos, pierde su creatividad. Fue una experiencia muy interesante, porque buscamos la alegría de los bailarines, la espontaneidad que está en el alma del frevo”, explica Célia Meira, antigua bailarina del Ballet Popular de Recife, que ahora trabaja con la danza para humanizar la atención sanitaria.

Para Ivaldo Mendonça, que tiene formación clásica y experiencia en contemporáneo, el contacto con el frevo fue una sorpresa y un reto: “Estoy contento con el espectáculo. Descubrí cosas que se pueden hacer en frevo, sin perder la energía de la danza. Un dúo cogido de la mano, el paso del paraguas por debajo de la pierna del compañero, son evoluciones del original sin perder la esencia”, añade Ivaldo, que fue bailarín de Deborah Colker y escribió el frevo de siete minutos que cierra Preto no branco en una dinámica trepidante. El espectáculo se representa los sábados y domingos, siempre a las 20.00 horas, hasta el 18 de marzo.

FUENTE: Diário de Pernambuco | Viver | 01.03.2007 | Por Tatiana Meira

Show explores the spontaneity of frevo

By Tatiana Meira

The aspects of improvisation and individuality inherent in frevo are just some of the characteristics of this dance from Pernambuco. But when it comes to frevo, says choreographer Marília Rameh, various paths are possible and cannot be viewed in a plastered or radical way. The evolution of frevo steps is the focus of the movement research in Preto no Branco, a show by Artefolia Company, directed by Marília, which starts its season at the Armazém Theatre (Recife district) this Friday at 8pm. The choreography was actually devised by two other professionals, choreographers Ivaldo Mendonça and Célia Meira.

“I wanted to talk about the frevo step, its trajectory, but not in a chronological way. We started from a fragmented body to come to a unity, showing the crowd jumping with the frevo, the frevo dancer dancing alone with an umbrella, the first intentions of the step with capoeira,” reveals Marília Rameh, who has led the Artefolia Dance Company for 15 years. The desire to work with frevo as a specific object of study arose in 2002, when the group carried out a dancing laboratory that resulted in the choreography Irreverência, awarded by Apacepe at the Janeiro de Grandes Espetáculos (January of Great Shows Festival) in 2003.

According to the choreographer, the wait was worth it, because today Artefolia is more mature. “We received funding from Funcultura, totalling almost R$ 80 thousand, and the Klauss Vianna prize, from Funarte/Ministry of Culture, of R$ 30 thousand” she says.

Another positive point of the production, Marília says, is the participation of Célia Meira and Ivaldo Mendonça in the choreographic composition. “Célia brought more fluid movements, and Ivaldo, technique and precision,” she compares.

“If the dancer is just repeating steps, they lose their creativity. It was a very interesting experience because we sought out the reveller within the dancers, the spontaneity that lies in the soul of frevo,” says Célia Meira, a former dancer with the Balé Popular do Recife, who now works taking dance to humanise healthcare.

For Ivaldo Mendonça, who has classical training and contemporary experience, the contact with frevo came as a surprise and a challenge. “I am happy with the show. I discovered things that can be done in frevo, without losing the energy of the dance. A duo holding hands, the passing of the umbrella under the partner’s leg, these are evolutions of the original without losing the essence,” adds Ivaldo, who was once a dancer with Deborah Colker and wrote the seven-minute frevo that closes Preto no Branco in a fast-paced dynamics. The show runs on Saturdays and Sundays, always at 8pm, until 18 March.

SOURCE: Diário de Pernambuco | Viver | 01.03.2007 | By Tatiana Meira

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